O Privilégio dos Caminhos


MUDANÇA DE MORADA

 

 MUDEI A MORADA DESTE BLOG PARA

http://oprivilegiodoscaminhos.blogspot.com/

OBRIGADA

 



Escrito por Júlia M.L. às 22h24
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Creio


Creio no incrível, nas coisas assombrosas, na ocupação do mundo pelas rosas,

creio que o Amor tem asas de ouro.

 

Ámen.

Natália Correia

 foto indecentemente roubada aqui



Escrito por Júlia M.L. às 21h40
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Devido a problemas com o Login deste blog, o mesmo esteve inactivo.

Julgando que nunca mais conseguiria acessá-lo, mudei-me, embora não convictamente para o Blogger. Agora permaneço

com os dois :-) embora tenha ideias diferentes para cada um deles,a  pergunta será: qual dos dois ficará mais intimista?

Bem, este post é  só para vos dizer que "O Privilégio dos Caminhos" está tb aqui .

abraços meus

 

 

 

 



Escrito por Júlia M.L. às 21h10
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  Le miroir

 (Charles Baudelaire - Le Spleen de Paris - XL)

Un homme épouvantable entre et se regarde dans la glace.
<< - Pourquoi vous regardez-vous ao miroir, puisque vous ne pou-
vez vous y voir qu'avec déplaisir? >>
L'homme épouvantable me répond: << - Monsieur, d'après les im-
mortels principes de 89, tous les hommes sont égaux en droits;
donc je possède le droit de me mirer; avec plaisir ou déplaisir, ce-
la ne regarde que ma conscience. >>
A nom du bon sens, j'avais sans doute raison; mais, au point de
vue de la loi, il n'avait pas tort.




Escrito por Júlia M.L. às 21h27
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   Nísia Floresta Brasileira Augusta: pioneira do feminismo brasileiro - séc. xix

"Este nome, melhor, pseudônimo, pertenceu a uma norte-rio-grandense — Dionísia Gonçalves Pinto — nascida em 1810 e que, após residir em diversos Estados brasileiros, como Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, mudou-se para a Europa onde passou o resto de sua vida. Nísia Floresta morreu em 1885, em Rouen, uma pequena cidade do interior da França. Num tempo em que a grande maioria das mulheres brasileiras vivia trancafiada em casa sem nenhum direito; quando o ditado popular dizia que "o melhor livro é a almofada e o bastidor" e tinha foros de verdade para muitos, justo nesse tempo Nísia Floresta dirigia um colégio para moças no Rio de Janeiro e escrevia livros e mais livros para defender os direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.

Nísia Floresta deve ter sido uma das primeiras mulheres no Brasil a romper os limites do espaço privado e a publicar textos em jornais da chamada grande imprensa. E foram muitas suas colaborações que a cada dia surgiam sob a forma de crônicas, de contos, de poesias e de ensaios. Aliás, esse é um traço da modernidade de Nísia Floresta: sua constante presença na imprensa nacional, desde 1830, sempre comentando as questões mais polêmicas da época. Se lembramos que apenas em 1816 a imprensa chegou ao país, mais se destaca o papel pioneiro que esta brasileira desempenhou no cenário nacional."

 (sabia  mais aqui e aqui.)

 



Escrito por Júlia M.L. às 20h49
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Bleu II Art Print by Joan Miro

O poema

 

Esclarecendo que o poema

é um duelo agudíssimo

quero eu dizer um dedo

agudíssimo claro

apontado ao coração do homem

falo

com uma agulha de sangue

a coser-me todo o corpo

à garganta

e a esta terra imóvel

onde já a minha sombra

é um traço de alarme

 

Luiza Neto Jorge



Escrito por Júlia M.L. às 21h54
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"Acordar de noite e lutar contra o mar. Impor, sobrepor, a minha voz à sua. Acima do seu canto o meu grito, mais alto que a sua música a minha raiva, o meu choro, a minha discordância. Atirar pedras, facas, contra o mar. Fechar contra ele todas as portas e janelas. Contra o seu infinito a minha finitude. Partir o mar como se fosse um espelho."

 

Teolinda Gersão, fragmento do livro "Paisagem com mulher e mar ao fundo",pág. 59



Escrito por Júlia M.L. às 19h11
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\'Desenho feito pelo Bernardo (9 anos)\'

Desenho feito por Bernardo, 9 anos

Oh as casas as casas as casas
as casas nascem vivem e morrem
Enquanto vivas distinguem-se umas das outras
distinguem-se designadamente pelo cheiro
variam até de sala pra sala
As casas que eu fazia em pequeno
onde estarei eu hoje em pequeno?
Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?
Terei eu casa onde reter tudo isto
ou serei sempre somente esta instabilidade?
As casas essas parecem estáveis
mas são tão frágeis as pobres casas
Oh as casas as casas as casas
mudas testemunhas da vida
elas morrem não só ao ser demolidas
Elas morrem com a morte das pessoas
As casas de fora olham-nos pelas janelas
Não sabem nada de casas os construtores
os senhorios os procuradores
Os ricos vivem nos seus palácios
mas a casa dos pobres é todo o mundo
os pobres sim têm o conhecimento das casas
os pobres esses conhecem tudo
Eu amei as casas os recantos das casas
Visitei casas apalpei casas
Só as casas explicam que exista
uma palavra como intimidade
Sem casas não haveria ruas
as ruas onde passamos pelos outros
mas passamos principalmente por nós
Na casa nasci e hei-de morrer
na casa sofri convivi amei
na casa atravessei as estações
Respirei – ó vida simples problema de respiração
Oh as casas as casas as casas

 

Ruy Belo



Escrito por Júlia M.L. às 01h37
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  Pedro, o bruxo ou Portas , o previsível?

Catoon de Pedro Afonso em Abril de 2005



Escrito por Júlia M.L. às 09h57
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RECOMENDO

 
"Além-Mar é o título de um novo livro de poesia de José Agostinho Baptista. Com a substância de ser um audio-livro onde António Cardoso Pinto, uma das vozes mais poéticas que o escuro pode ouvir, eteriza a palavra. A enunciação sonora do texto poético permite aqui um acrescento ao verso escrito, levando-o para dimensões que a leitura silenciosa não alcança. Ao dar voz aos poetas, António Cardoso Pinto, nos seus inúmeros programas radiofónicos, tornou-se, ele também, um poeta.",

 in http://incomunidade.blogspot.com

  

 



Escrito por Júlia M.L. às 11h38
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La bailarina desnuda

Angel Zárraga  (1886-1946)
La bailarina desnuda , 1907-1909

 

Bailarina fui

Mas nunca dancei

Em frente das grades

Só três passos dei.

 

Tão breve o começo

Tão cedo negado

Dancei do avesso

De tempo bailado.

 

Dançarina fui

Mas nunca bailei

Deixei-me ficar

Na prisão do rei

 

Onde o mar aberto

E o tempo lavado?

Perdi-me tão perto

Do jardim buscado.

 

Bailarina fui

Mas nunca bailei

Minha vida toda

Como cega errei

 

Minha vida atada

Nunca a desatei

Como Rimbaud disse

Também eu direi:

 

"Juventude ociosa

Por tudo iludida

Por delicadeza

Perdi minha vida"

 

Sophia Mello Breyner Andersen



Escrito por Júlia M.L. às 16h46
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EXPLICAÇÃO

(CECILIA MEIRELES)

O pensamento é triste; o amor, insuficiente;
e eu quero sempre mais do que vem nos milagres.
Deixo que a terra me sustente:
guardo o resto para mais tarde.

Deus não fala comigo-e eu sei que me conhece.
A antigos ventos dei as lágrimas que tinha.
A estrela sobe, a estrela desce...
- espero a minha própria vinda.

(Navego pela memória
sem margens.

Alguém conta a minha história
e alguém mata os personagens.)

 



Escrito por Júlia M.L. às 16h18
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Soneto da Separação
 
(Vinícius de Morais)
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

  



Escrito por Júlia M.L. às 01h11
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" Eu sabia.Eu bem sabia.

  Não se pode sonhar sem Deus saber. "

( in O Privilégio dos Caminhos de Fernando Pessoa, voz de Salomé, pag.79 )



Escrito por Júlia M.L. às 22h47
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 ....Não, não, não, nenhum Deus, quero estar só. E um dia virá, sim, um dia virá em mim a capacidade tão vermelha e afirmativa quanto clara e suave, um dia o que eu fizer será cegamente seguramente inconsciente, pisando em mim, na minha verdade, tão integralmente lançada no que fizer que serei incapaz de falar, sobretudo um dia virá em que todo movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! O que eu disser soará fatal e inteiro! Não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões, não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante: sempre fundido, porque então viverei, só então viverei maior do que na infância, serei brutal e malfeita como uma pedra, serei leve e vaga como se sente e não se entende, me ultrapassarei em ondas, ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreensão de mim mesma em certos momentos brancos porque basta me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte-sem-medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo.

(Clarisse Lispector, Perto do Coração Selvagem, último parágrafo do livro)



Escrito por Júlia M.L. às 22h08
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